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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Michael Jackson na Harrods – por John Ferguson


Quantas chances você tem de bater um papo íntimo com o rei do pop?
Numa típica manhã nublada de maio, eu recebi um telefonema muito animado do meu editor fotográfico do Daily Mirror, Ian Down, que me pediu pra correr para a Harrods (nota da tradutora: Harrods é uma famosa loja de departamentos em Londres), em Knightsbridge. Chegando lá, nós nos encontramos com o dono da loja, Mohammad Al Fayed, que acompanhou pessoalmente a mim e a repórter Fiona Cummins ao seu escritório privado. Eventualmente, iríamos encontrar lá a lenda da música, Michael Jackson, para uma entrevista exclusiva – e que acabou por ser um encontro muito bizarro e inesquecível.
Inicialmente, Fiona e eu fomos deixados numa sala luxuosa de Al Fayed por mais de duas horas, sem termos idéia do que estava acontecendo. Eventualmente, fomos levados para outra sala onde tivemos que esperar mais 45 angustiantes minutos.
Finalmente, Al Fayed apareceu com a notícia de que Michael estaria conosco em 10 minutos. O ar ficou pesado. Depois de tanto tempo de espera, ainda estávamos muito céticos, nos perguntando se aquela entrevista realmente sairia. Estávamos tensos para conhecer aquela estranha figura da história do pop, um homem que raramente dá entrevistas à imprensa. Mas, de repente, a porta se abriu e Michael Jackson entrou, olhando ainda mais confuso do que nós. Eu tenho que admitir, eu quase caí na gargalhada quando nós apertamos as mãos. Todo o cenário era extremamente surreal.
Imediatamente, pedi a Michael para posar com a jornalista e, em seguida, com Al Fayed. Eu tinha feito um pequeno set num canto da sala para tirar mais algumas fotos de Michael, mas um maníaco Al Fayed interveio e me falou que não teria mais fotografias do Michael, “Por favor, deixe-o descansar”, ele vociferava . Michael então começou a circular pela sala, fazendo vários ruídos indistinguíveis. Fizemos algumas perguntas sobre sua viagem a Londres e outras gentilezas, tentando fazer ele se sentir um pouco mais confortável. É verdade, ele é tão criança assim como dizem. Até mesmo Al Fayed tentou fazer algumas piadas para relaxar Michael – cada piada mais sem graça que a outra, mas Michael sorria timidamente.
Com a insistência de Al Fayed para que  nenhuma outra foto fosse tirada, eu pensava na possibilidade de tirar uma outra foto de Michael sem causar muito alarde. Então, comecei a me perguntar: “Quantas vezes se tem a oportunidade de conhecer Michael Jackson?”. Decidi aproveitar a oportunidade e tirar mais umas duas ou três fotos. Surpreendentemente, Al Fayed não reagiu, eu consegui as imagens e todos nós apertamos as mãos de novo antes de Michael sair da sala.
Surpreendentemente, as três fotos extras que consegui tirar no último minuto ficaram ótimas! Considerando que eu realmente não tive tempo suficiente para enquadrá-las ao ângulo tão bem quanto queria, fiquei muito entusiasmado com os resultados. Eu me arrisquei e valeu a pena. Michael Jackson é uma lenda viva da música, uma figura ímpar do nosso tempo e, pra mim, como fotógrafo, ele foi uma das figuras mais interessantes que já fotografei.

Abaixo, as outras fotos que John tirou
(Mohammad Al Fayed e Michael)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Madonna fala sobre Michael Jackson



Madonna - Setembro/2009

Michael Jackson nasceu em agosto de 1958, e eu também. Michael Jackson cresceu no subúrbio do Meio-Oeste, e eu também. Michael Jackson teve oito irmãos e irmãs - e eu também. Quando Michael Jackson tinha 6 anos, ele se tornou um superstar e talvez a criança mais adorada do mundo. Quando eu tinha 6 anos, minha mãe morreu.

Eu não tive mãe, mas ele nunca teve infância. E, quando você nunca teve algo, você se torna obcecado por isso. Eu passei minha infância buscando a imagem de minha mãe; e às vezes até conseguia. Mas como você faz para recriar sua infância quando você está sob os olhares do mundo para o resto de sua vida?

Não há dúvidas de que Michael Jackson foi um dos maiores talentos que este mundo já teve a chance de conhecer. De que quando ele cantava uma música aos 8 anos de idade, ele era capaz de fazer com que você sentisse como se um adulto estivesse apertando seu coração com suas palavras. De que o modo como ele dançava tinha a mesma elegância de Fred Astaire e o mesmo impacto de um soco de Muhammad Ali. De que sua música possuía uma camada extra de magia inexplicável, que não só fazia você querer dançar, mas que na realidade conseguia fazer você acreditar que era capaz de voar, de ousar sonhar, de ser tudo o que quisesse ser. Porque é isso que os heróis fazem. E Michael Jackson foi um herói.

Ele se apresentou em estádios de futebol ao redor do mundo, vendeu centenas de milhões de discos, jantou com primeiros-ministros e presidentes. As garotas se apaixonavam por ele, os garotos se apaixonavam por ele, todos queriam dançar como ele. Ele parecia ser de outro mundo, mas ele era também um ser humano. Assim como a maioria dos artistas, ele era tímido e inseguro.

Não posso dizer que éramos grandes amigos, mas em 1991 eu decidi que queria conhecê-lo melhor. Convidei-o para jantar. Eu disse, ‘O convite é meu, eu dirijo, só você e eu’. Ele concordou e apareceu na minha casa sem qualquer guarda-costas. Fomos até o restaurante no meu carro. Estava escuro, mas mesmo assim ele usava óculos escuros. Eu disse, ‘Michael, me sinto como se estivesse conversando com uma limusine. Será que você poderia tirar esses óculos para que eu possa ver seus olhos?’. Ele ficou parado por alguns instantes, e então atirou seus óculos pela janela, olhou para mim sorrindo, piscou e disse, ‘Consegue me ver agora? Melhor assim?’.

Naquele momento fui capaz de enxergar tanto sua vulnerabilidade quanto seu charme. Passei o resto do jantar tentando convencê-lo a comer batata frita, beber vinho, comer sobremesa e dizer palavrões, coisas que ele parecia jamais se permitira fazer. Mais tarde, voltamos para minha casa para assistir filme e ficamos sentados no sofá feito duas crianças. Em algum momento do filme, sua mão segurou a minha. Ele parecia estar procurando uma pessoa amiga e não um romance e fiquei feliz por estar ali. E naquele instante ele não se sentiu um superstar, ele se sentiu um ser humano. Nós saímos juntos mais algumas vezes e, por algum motivo, perdemos o contato.

Foi então que começou uma verdadeira ‘caça às bruxas’ na vida de Michael, com uma história surgindo após a outra. Eu senti a dor dele. Eu sei como é andar na rua e sentir como se o mundo todo estivesse contra você. Eu sei como é se sentir desamparado e incapaz de se defender, porque o barulho é tão alto que você se convence de que sua voz jamais será ouvida. Mas eu tive uma infância, e tive a chance de cometer erros e de descobrir meu caminho no mundo sem a luz dos holofotes.

Quando soube da morte de Michael Jackson eu estava em Londres, alguns dias antes do início da minha turnê. Michael ia se apresentar no mesmo local que eu, uma semana depois. Naquele instante, só consegui pensar que eu o havia abandonado. Que nós o havíamos abandonado. Que havíamos permitido que aquela criatura magnífica, que um dia agitou o mundo, caísse enquanto tentava construir uma família e reconstruir sua carreira. Estávamos ocupados demais fazendo julgamento. A maioria de nós lhe deu as costas.

Em uma tentativa desesperada de manter sua memória viva, fui para a internet assistir alguns de seus vídeos em que ele aparecia cantando e dançando na TV e nos palcos e pensei: ‘Meu Deus, ele era tão único, tão original, tão raro. E jamais haverá alguém como ele novamente’. Ele era um rei. Mas ele também era um ser humano. E nós as vezes precisamos perder algo para aprender a dar valor.

Quero concluir de forma positiva, e dizer que meus filhos de 9 e 4 anos são obcecados por Michael Jackson. Eles o imitam com os passos ‘moonwalker’ e colocando a mão na virilha, e parece que há uma nova geração descobrindo sua genialidade e trazendo-o de volta à vida. Espero que, onde quer que Michael esteja agora, ele esteja sorrindo a respeito disso.

Sim sim, Michael Jackson era um ser humano, mas ele era sim um rei. Vida longa ao Rei.








Fonte: http://forevermichaeljackson.blogspot.com.br/

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Michael um brincalhão ,um piadista – por Todd Gray


Todd Gray fotografo de Michael Jackson há mais de 10 anos conta algumas de suas experiencias com o Rei do Pop .
Michael queria mostrar-me o seu teatro privado recém-concluído com cadeiras de veludo vermelho. E eu vi que seu suéter azul combinava com  a cor vermelho-escuro dos assentos e pedi  para ele se sentar como se estivesse assistindo a um filme.



Qual o filme?”ele me perguntou.

Eu disse:”Isso não importa. Qualquer filme serve”
Mas Michael insistiu:”Todd, você tem que me dizer o filme que eu assisto,se você espera uma reação de mim.”
”Bem, que tal uma comédia de Charlie Chaplin?”eu sugeri.
Qual delas são tantas você sabe”, disse Michael.
Felizmente o meu assistente me ajudou dizendo Times me”Modern.”
Michael respondeu:”OK, mas em que parte ?.
E eu respondi um tanto irritado: ”Michael, é uma comédia, você só tem que rir”
Já era tarde e estávamos todos cansados ​​e irritados com facilidade, mas Michael estava tendo um seu grande momento.
Bem para começar ”se você quiser me fazer rir, então tem que me contar uma piada.
”Mas eu te disse para fingir que você está assistindo a um filme. O que você mais quer?”, disse já cansado.
Estava quase desistindo quando fiz um sorriso bobo palhaço que o fez rir.

Quando Michael estava cercado por sua família e amigos, e ele se tornava um malandro, brincalhão e piadista. Às vezes ele me telefonava, disfarçava a sua voz, criava um nome e me pedia para fazer algo tolo. Ele poderia imitar uma variedade de vozes e pregou muitas brincadeiras em  mim.
Uma vez eu tirei fotos dele enquanto ele estava na cama porque estava atrasado para uma reunião e eu o flagrei a não querer se levantar.
Ele me dizia assim “Todd, eu vou te pegar por isso!” E ele o fez.
Eu tinha esquecido tudo sobre o que aconteceu e um dia enquanto ele estava realizando uma noite ele me disse para ficar em um local específico para tirar fotos dele quando ele começasse  a cantar uma música.
Eu fiz como me foi indicado. Assim, bem antes de eu ir tomar a minha posição, Michael  cai de costas  e começa á dizer: “Me ajude, me ajude! Eu preciso de alguma mulher para me toque!” e toda mulher naquele lugar desabou sobre mim.
Eu estava entre eles, e não tive uma chance sequer e ele me deu essa aparência, ‘Eu peguei você’.
Depois, eu disse :Você acha que é tão bonito, e ele disse: “O que quer dizer, Todd?
Como assim  Mike  essas pessoas estavam me esmagando e tudo que ele disse: “Todd, o espírito só me leva, por vezes, e o espírito me levou.”
Então eu soube que ele estava se vingando e que foi a última vez que eu pisei fora da linha com ele.
Para os fãs, A Chronicle Books lança Michael Jackson: antes ele era Rei,uma coleção de 100 imagens, a maioria nunca antes vistas, tiradas por Todd Gray, que era fotógrafo pessoal de Jackson, durante o período de ouro entre 1974 e 1983, assim como Jackson floresceu no estrelato internacional sem precedentes, mas antes de se tornar isolado como o rei do pop. Gray documentava Jackson nas performances, para capas de revistas, em turnês, em casa e no lazer. Gray tinha acesso pessoal ao Michael privado, com sua família e seus fãs, bem como a sua incrível carreira fazendo performances ao vivo e as filmagens de “Beat It”.Conforto, sinceridade, e pura alegria brilha nas imagens.
Michael Jackson: Antes Ele era o Rei captura a estrela da maneira que seus fãs vão querer se lembrar dele.
Livro de Todd Gray Antes Ele era o Rei ,traz informações exclusivas deste período com o cantor. Legendas, introdução e narrativa por Gray adicionam contexto às imagens e, juntas, criam um retrato íntimo de Michael em seu auge criativo.
Este livro é uma contribuição vital para a história desta estrela internacional e obrigatório para os fãs de todas as idades.
Após uma sessão de fotos dos Jackson 5, o autor diz que Michael Jackson queria que ele fosse seu fotógrafo pessoal. O resultado: uma coleção de imagens, tiradas entre 1974 e 1984, que revelam o futuro rei do lado emotivo do Rei do Pop.

Entrevista com Todd Gray
Por Vanessa Werts
BMIA.com: Mais de duas décadas se passaram desde que você era um fotógrafo pessoal de Michael Jackson. Alguma vez você pensou liberando a coleção 100 imagem antes de sua morte?
Todd Gray: Eu comecei a trabalhar neste livro, em maio de 2008, bem antes do anúncio dos seus concertos em 02, em Londres. Eu senti que era  o tempo certo. Esta foi a minha terceira tentativa de publicar um livro de fotografias de Michael. Em 1985 e 1993, organizei uma proposta e fez um par de arremessos de editoras, mas a resposta foi mínima.
BMIA.com: Considerando a sua conexão pessoal com o ícone, era uma experiência emocional para colocar o livro em conjunto?
Todd Gray: Eu não tenho uma conexão pessoal com um ícone, eu tinha um relacionamento com um ser humano muito talentoso, um amigo, um indivíduo. A emoção que senti depois de ouvir de seu falecimento foi posta em foco a cada vez que uma conversa repetida ou experiência que compartilhamos juntos há 25 anos atrás. As fotografias que eu estava trabalhando com as cenas feitas em minha memória mais vívida, ampliando as minhas emoções. Às vezes eu perco tempo olhando para algumas das fotos, perdido nas minhas lembranças do passado.
BMIA.com: Se você, por favor partilhe um detalhe íntimo ou de facto sobre Michael Jackson, que só pode ser realizado através da observação e disse-lhe através da lente de uma câmera.
Todd Gray Michael era extremamente tímido e auto-consciente na frente da câmera. Demorou cerca de dois anos trabalhando com ele, conectando e estabelecendo um relacionamento. Uma vez que isso aconteceu, eu percebi como ele ficou relaxado em frente da câmera, ele não sente a necessidade de pose, que se sentiu relaxado o suficiente para ser ele mesmo, sabendo que eu tinha a habilidade de criar uma fotografia atraente dele. Ele confiava em mim o suficiente para ser ele mesmo.
BMIA.com: Entre os anos de 1974 a 1983, o que na sua opinião, qual o momento mais feliz na vida de Michael Jackson?

Todd Gray: Michael era mais feliz no palco, tocando na frente de uma platéia. Em 1983, quando ele comprou a casa de Encino de seu pai e remodela-la  e “Thriller” ai ele começou a decolar. Eu estava perto da casa á fotografá-lo e ele estava andando como dois pés fora do chão, ele estava tão feliz. Foi contagiante.


Fonte: http://www.themjifc.com/forum/michael-jackson/13682-photographer-todd-gray-about-mike.html

            MAIS FOTOS DE MICHAEL POR TODD GRAY















segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Roberto Cavalli relembra Michael Jackson


“Eu me lembro da primeira vez que o Michael me ligou, faz uns dois anos, e disse: ‘Roberto, eu gostaria de falar com você. Quero que me ajude a mudar a minha imagem’. Então, essa foto foi tirada no jantar que tivemos em Las Vegas.
As pessoas podem dizer o que quiserem, mas ele é Michael Jackson! Ele é tão influente, foi o primeiro a usar mocassins pretos com luvas brancas.”
Por Roberto Cavalli, estilista italiano.

domingo, 18 de novembro de 2012

Não posso crer que este cara me acordou por uma foto


Porque é que o cabelo de Michael que parece de quem acabou de acordar?
Marlo Henderson trabalhou nos álbuns Off the Wall e HIStory Michael Jackson (e em alguns dos Jackson 5).
Marlo precisava de uma foto para o seu currículo e pediu ao estúdio para pedir permissão. Em seguida, ele foi para o estúdio onde estava gravando Thriller e descobriu que Michael estava dormindo porque ele tinha passado trabalhando  a noite toda .
Lhe sacudi  para pedir para tirar uma foto juntos e ele acordou.
Michael foi amigável, mas disse : Que …????! Não queria levantar-se! mas no final ele o fez, saiu, tirou algumas fotos e voltou a dormir.
Michael olhou para Marlo entre os disparos, dizendo: “Eu não posso acreditar que esse cara foi me levantar por uma foto”.
Mas posou com este aspecto e este cabelo recém-levantado.
Foi muito gentil de fazer isto, lembrou-se Marlo.
Marlo morava perto de Michael  e o conhecia desde 1971. Eles costumavam se encontrar em um local de lavagem de carros em Encino, onde Michael estava lá toda semana,e ali os jovens  conversavam por algumas horas em uma confeitaria enquanto eram lavados os carros.
Marlo lembra Michael como ele era despretensioso, sério, mas brincalhão, curioso e sempre querendo quebrar barreiras. Ele gosta desta fotografia porque é muito natural.
Esqueci-me de dizer que Marlo Henderson, guitarrista e aqui você pode ouvir uma entrevista de rádio na qual ele conta essa anedota (de aproximadamente 6,55 minutos).

R. Kelly compartilha suas lembranças com Michael Jackson


 
Passaram-se exatamente 3 anos desde a prematura morte de Michael Jackson. Mas, para R. Kelly, as lembranças dos tempos passados com o Rei do Pop durarão para sempre.
Eles se conheceram quando Kelly escreveu You Are Not Alone para Jackson, e o popstar aceitou gravá-la. Kelly detalha a emoção do encontro com Jackson, a parceria dos dois na canção – e algo como um passeio no shopping com o megastar – em seu próximo livro de memórias, Soulacoaster: The Diary of Me, que estará à venda no dia 28 de junho, reproduzido aqui com a permissão da editora SmileyBooks.
O dia finalmente chegara. Cheguei ao estúdio duas horas mais cedo. Pedi minha comida chinesa favorita. Tive certeza de que precisava incluir alguns pratos vegetarianos pro Michael. Eu estava tão nervoso que comecei a ensaiar em frente à comida a forma como ia oferecê-la ao Michael. Eu diria: “Mike, você gostaria de um pouco de comida chinesa?”, ou “Mike, quer um pouco disso, cara?”?. Ou talvez fosse melhor dizer: “Se você está no espírito de comida chinesa, Michael, seja bem-vindo”.
 Trinta minutos e vários telefonemas depois, o lendário cantor chega.Ele parecia ter, no mínimo, 1,80 de altura. Parecia um avatar. Ele estava usando uma máscara preta no rosto. Apenas os olhos estavam à mostra.
 Por fim, Mike se aproximou de mim. Ele me olhou nos olhos, abriu os braços e me deu o abraço da minha vida, sussurrando em seu tom mais leve que o ar, sua voz suave, aguda: “O mundo inteiro vai cantar música”.
 Soltei algo bem bobinho, do tipo: “Parabéns por tudo o que você tem feito, Mike. Parabéns por ser Michael Jackson”.
 Logo depois disso, Bubbles, o chimpanzé, pulou pra dentro da sala. Na minha mente, chamei o Bubbles de “Trouble” [“Problema”]. O chimpanzé me deixou nervoso.
 “Ele é amigável, não é, Michael?”
 “Oh sim, ele não vai te machucar”
 “De qualquer forma”, falei, “Estou feliz por você ter gostado da música”.
 “Eu não gostei, Rob. Eu adorei. Não quero mudar nada! Quero cantá-la do jeito que você escreveu. Você me capturou muito bem. Essa é a razão pela qual vim aqui. Podemos começar assim que eu fizer meu aquecimento vocal”.
 “Se você me der licença por um minuto”, eu disse. “Já volto!”.
 Fui ao banheiro e imediatamente caí no chão. Me acabei de chorar. Michael Jackson estava cantando a minha música; fora Michael Jackson quem me disse que eu havia capturado seu espírito. Michael Jackson tinha vindo à Chicago pra trabalhar comigo!
 “Rob”, ele falou naquela voz aguda e cantante, “Você se importaria de vir aqui e cantar o back-vocal comigo?”
Se eu me importaria? Você ta me zoando? Michael Jackson estava me pedindo pra cantar com ele!
 Eu tive que me conter pra não correr pra cabine de gravação. Me acalmei para que pudesse andar devagar, mas, no meu coração, me sentia como uma garotinha.
 Quando começamos a cantar, a mistura foi perfeita. Éramos como torrada e manteiga. Ele fez alguns movimentos que eu o vi fazer em We Are the World. Sentado ao meu lado – a minha voz sobre a dele, a voz dele sobre a minha – eu cheguei ao paraíso. O paraíso na terra. Irmão, isso é tão bom quanto!
 “Sabe, Rob”, ele disse no final daquela tarde, “às vezes, eu posso demorar um mês pra começar uma canção que eu quero”.
 “Eu também, Mike”, concordei, “De vez em quando, leva mais que um mês”.
 “Me sinto feliz por você entender. Você vai ter paciência comigo, não vai?”
 “Eu vou ser o que você quiser que eu seja, Mike. Ainda é como um sonho pra mim”.
 Então, o Rei do Pop fez um pedido inesperado.
 “Posso te perguntar outra coisa?”
 ”Claro”
 “Existe um shopping aqui por perto, Rob?”
 “Apenas a umas duas quadras de distância”
 “Quer ir lá comigo? Eu amo shoppings!”
 “Eu também adoro, Mike. Vamos lá!”
 Com Bubbles e a equipe de segurança em seus postos, fomos para o Water Tower Place, um dos melhores shoppings de Chicago. Michael foi direto pra loja da Disney, onde ficou fascinado por uma estátua enorme do Pato Donald pendurada em cima da entrada.
 “É linda!”, disse Michael. “Você acha que eles podem vender pra mim? Eu adoraria ter o Pato Donald em Nerverland”.
 “Não custa nada perguntar”, falei.
 É claro que Michael Jackson entrando numa loja da Disney provocou uma confusão. Quando o gerente apareceu, Michael não poderia ter sido mais gentil: “Há possibilidades de comprar aquele Pato Donald?”, perguntou ele.
 “Temo que não, Sr. Jackson. Foi montado permanentemente na entrada da loja”.
 “Oh, que pena”, Michael falou educadamente, “Mas obrigada mesmo assim, senhor.”
 Nunca conheci alguém com melhores maneiras.
 A dupla trabalhou no aperfeiçoamento da música ao longo das três semanas seguintes e passou um tempo conversando no estúdio.
A experiência de trabalhar com Mike era um drama gratuito. Toda noite, depois que ele deixava o estúdio e entrava em sua van, as pessoas ficavam penduradas nas janelas dos prédios de escritórios e hoteis, esticando os pescoços para conseguir um vislumbre dele. Ele sempre parava e acenava.
 Quando o trabalho estava pronto e já era hora de deixar Chicago, ele me deu outro abraço e disse: “Você é meu irmão”.
 Fiquei emocionado demais pra dizer qualquer coisa.
 Quando saiu como o segundo single do álbum de Mike, HIStory, You Are Not Alone entrou no Guiness Book como a primeira canção a estrear em número 1 no Top 100 da Billboard. Foi número 1 no Reino Unido, assim como na França, Nova Zelândia, Espanha, Suíça e Japão. Mike estava certo. Eles estavam cantando a música no mundo todo.
 Michael Jackson morreu no dia 25 de junho de 2009. A notícia de sua morte foi como um golpe de machado no meu peito. Ele significava o que a respiração significa para a maioria das pessoas. Ele não era apenas meu irmão e amigo, mas era também o meu mentor. Me sinto honrado e abençoado por ter estado na presença do Michael. Comecei a conhecê-lo de uma maneira que o mundo nunca irá – num nível de pessoa pra pessoa, de alma pra alma.
Fonte: http://falandodemichaeljackson.wordpress.com/2012/07/03/r-kelly-compartilha-suas-lembrancas-com-michael-jackson/
Texto traduzido por Lais Alves do Blog Fotos e Fatos